Criador da rede social não cita nomes, mas se posiciona contra medidas que dividem o mundo.
| Criador do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmou não ter planos de concorrer à Presidência dos Estados Unidos (Foto: Esteban Felix/AP)
Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook, publicou nesta quinta-feira (16) uma longa carta direcionada aos usuários da rede social onde ele defende a globalização e a ideia de uma "comunidade global" sustentada pelo Facebook. Veja aqui a íntegra da carta.
O "textão" foi postado no perfil do executivo em um momento em que o Facebook, e o próprio Zuckerberg, tem sido alvo de críticas pesadas. Um grupo de acionistas busca tirar Zuckerberg da presidência do conselho da empresa no que seria uma tentativa de ajudar o Facebook a lidar melhor com acusações de "censura, discurso de ódio e de alegadas inconsistências na aplicação dos padrões de comunidades e políticas de conteúdo".
O Facebook também tem sido acusado de influenciar na eleição de Donald Trump à presidência dos EUA graças à proliferação de notícias falsas (ou "fake news") na rede social. Recentemente, tanto o Facebook como outras empresas, como o Google, anunciaram medidas preventivas contra isso.
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Oportunidades globais
Zuckerberg não cita nomes, mas passagens da carta indicam que o executivo esteja se posicionando contra as ações isolacionistas que surgiram nos últimos anos, como a assinatura do Brexit, no Reino Unido, e as políticas anti-imigração de Donald Trump. Veja trecho abaixo:
"Nossas maiores oportunidades são globais – como espalhar a prosperidade e a liberdade, promover a paz e a compreensão, tirar as pessoas da pobreza e acelerar a ciência. Nossos grandes desafios também exigem respostas globais – como acabar com o terrorismo, lutar contra a mudança climática e prevenir pandemias. O progresso agora exige que a humanidade se una não como cidades ou nações, mas como uma comunidade global"
O criador do Facebook também diz que a rede social luta para aproximar as pessoas e construir uma comunidade global, e que isso não era controverso quando o site surgiu.
"A cada ano, o mundo se tornou mais conectado e isso era visto como uma tendência positiva. Agora, porém, existem pessoas pelo mundo deixadas para trás pela globalização, e movimentos a favor da saída de uma conexão global"
5 mandamentos
O criador do Facebook também propõe uma série de prerrogativas para a construção dessa "comunidade global". Dentre elas, formas de ajudar a elaborar uma "comunidade informada que nos expôe a novas ideias e constrói entendimento comum em um mundo onde todas as pessoas têm voz".
Esse item em específico parece lidar com a onda crescente de notícias falsas. Após a eleição de Trump em novembro de 2016, o Facebook vem sendo acusado de ajudar no resultado do pleito por conta da propagação de "fake news" a favor do republicano. E com o passar do "textão", Zuckerberg dá algumas pistas de que a culpa não seria toda da rede social.
"Nos questionam se somos capazes de criar uma comunidade global que funcione para todos, e se o caminho adiante é conectar mais ou mudar o percurso"
"Em tempos como esses, a coisa mais importante que o Facebook pode fazer é desenvolver a infraestrutura social para que as pessoas possam construir uma comunidade global que funcione para todos nós"
Essa não seria a primeira manifestação anti-Trump por parte de empresas de tecnologia. Além de Zuckerberg, que já havia se manifestado anteriormente contra as medidas imigratórias dos EUA, companhias como Google, Apple, Microsoft, Netflix e Airbnb publicaram mensagens contrárias às políticas recentes de Trump.
Em seguida, Zuckerberg destaca em negrito: "Em tempos como esses, a coisa mais importante que o Facebook pode fazer é desenvolver a infraestrutura social para que as pessoas possam construir uma comunidade global que funcione para todos nós".


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